Marketing de afiliados em setores tradicionais: o que muda?
Com marketplaces e redes sociais, modelo avança para setores não nativos digitais, como educação superior
Indicaê mostra como o marketing de afiliados avança para mercados que não nasceram digitais . Crédito: Divulgação Estácio
O marketing de afiliados, historicamente associado ao varejo online e à economia digital, vive um momento de expansão e de mudança de perfil. Em 2026, o setor se consolida como um dos canais mais estratégicos e resilientes do marketing digital, e a inteligência artificial aparece entre as principais tendências apontadas por especialistas para o ano. Segundo projeções da Track360, empresa de pesquisa e análise de mercado, e da eMarketer, plataforma especializada em dados e pesquisas sobre marketing, mídia e comércio digital, a indústria global de marketing de afiliados deve chegar a US$ 24,7 bilhões ainda em 2026. a indústria global de marketing de afiliados deve chegar a US$24,7 bilhões ainda em 2026.
No Brasil, estima-se que mais de 30 milhões de pessoas estejam cadastradas em plataformas de afiliação, o que coloca o país como o segundo maior mercado do mundo. O movimento é puxado, em boa parte, pelas grandes plataformas. Marketplaces e redes sociais têm estruturado programas de afiliados para incentivar criadores de conteúdo e gerar fidelidade. A tendência, porém, também traz desafios: levantamentos do setor indicam que os 10% de afiliados mais bem posicionados respondem por cerca de 90% do faturamento, o que reforça a importância de profissionalização, capacitação e estrutura de apoio para quem participa.
Se o modelo já é familiar em segmentos nativos digitais, o que acontece quando ele chega a mercados que tradicionalmente concentram a aquisição de clientes em mídia paga, campanhas institucionais e equipes comerciais? A educação superior é um dos exemplos mais claros dessa transição. Nesse cenário, o Indicaê, programa de afiliados da Estácio desenvolvido em parceria com o Saber em Rede, se posiciona como o maior programa de afiliados da educação superior brasileira, com aproximadamente 140 mil afiliados, dos quais cerca de 80% são alunos da própria instituição. Desde sua criação, o programa já distribuiu mais de R$10 milhões em comissões.
A lógica difere em pontos importantes do afiliado de e-commerce. Em vez de uma rede formada majoritariamente por criadores e influenciadores, o Indicaê aposta em quem já conhece o produto por dentro: alunos, ex-alunos e outros públicos ligados à instituição.
Os afiliados usam links personalizados para divulgar os cursos e acompanham o desempenho pela plataforma digital. A remuneração ocorre após a efetivação da matrícula, garantindo benefícios em dinheiro ou bolsas de estudo de até 100% para a comunidade acadêmica.
Para Luciano Dias, Head de Canais de Aquisição da YDUQS e um dos responsáveis pela criação do Indicaê, a transformação é estrutural. “Estamos falando de uma mudança importante na lógica de aquisição. A instituição passa a contar com seus canais tradicionais e também com uma rede distribuída de pessoas que conhecem a marca, entendem seus produtos e conseguem levar essa informação para novos públicos. É uma estratégia que combina escala, relacionamento e performance”, explica.
A educação superior também tem uma particularidade: a decisão de matrícula envolve confiança, identificação e orientação, e muitas vezes passa pela recomendação de alguém que já viveu a experiência na instituição. Para Nina Trolly, Coordenadora de Canais de Afiliados da YDUQS, é nesta parte que o modelo se diferencia ainda mais. “O afiliado não é apenas alguém que divulga um link. Quando um aluno compartilha sua experiência e apresenta uma oportunidade para alguém próximo, ele consegue fazer uma ponte que muitas vezes é diferente daquela criada por uma campanha tradicional.”
Sobre as perspectivas do mercado, Luciano avalia que o marketing de afiliados deve avançar cada vez mais para setores que não nasceram digitais, e que o diferencial estará na qualidade da rede, e não apenas no tamanho. “A tendência é que os programas deixem de ser apenas uma vitrine de links e passem a oferecer estrutura de verdade para quem indica, com capacitação, acompanhamento de resultados e ferramentas de apoio.”
Nesse cenário, a IA e os dados também ganham protagonismo, ao ajudar a identificar quais públicos e abordagens funcionam melhor, ampliar a autonomia do afiliado e tornar o canal mais previsível para a instituição. “A tendência é que as empresas capazes de unir tecnologia e relacionamento consigam transformar a indicação em um canal estratégico de crescimento. Na educação superior, estamos trazendo esse movimento já em grande escala”, finaliza Nina.
Sobre o Indicaê
O Indicaê é o programa de afiliados da Estácio, desenvolvido em parceria com o Saber em Rede, que transforma a indicação de novos alunos em um canal estratégico de captação e em uma oportunidade de geração de renda para sua rede de embaixadores. Com aproximadamente 140 mil afiliados, cerca de 80% deles alunos da própria Estácio, o programa é considerado o maior programa de afiliados da educação superior no Brasil e já distribuiu mais de R$10 milhões em comissões desde sua criação. Por meio de uma plataforma digital, os participantes podem indicar cursos da Estácio utilizando links personalizados, acompanhar suas indicações e acessar ferramentas de capacitação, suporte, produção de criativos e inteligência artificial para potencializar sua performance. Ao conectar tecnologia, dados, educação e relacionamento, o Indicaê amplia a capilaridade da instituição na aquisição de novos alunos e fortalece um modelo no qual a própria comunidade acadêmica participa do crescimento da Estácio, consolidando-se como uma iniciativa de inovação e transformação no mercado de educação superior.
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