Segundo estudo, 49% da comunidade LGBTQIAPN+ acreditam que as marcas reproduzem comportamentos preconceituosos
Reprodução: Magnific
Figurando entre as principais datas comerciais do calendário, o Dia dos Namorados, que ocorre no dia 12 de junho, deve movimentar cerca de R$ 2,84 bilhões em compras, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O período abre margem para que marcas explorem a pluralidade de narrativas por meio da representação de casais diversos, em um cenário em que 83% dos brasileiros afirmam aceitar a diversidade, conforme dados do estudo Oldiversity, da Croma Consultoria.
Embora as oportunidades existam, observa-se uma diminuição recente na presença de casais diversos em peças publicitárias, movimento antes fortalecido por cases como a campanha “Casais”, desenvolvida por O Boticário em 2015. Entre os fatores que explicam a redução da presença sazonal em campanhas, há uma mudança na forma como a diversidade é encarada pelas corporações, em que prevalece a preferência por medidas internas e peças de comunicação constantes, com menor ênfase em ações periódicas.
Para Edmar Bulla, fundador da Croma e idealizador do estudo, as novas dinâmicas criam a necessidade de planejamentos que apresentem resultados concretos e mensuráveis, diante de um público cada vez mais atento a ações percebidas como oportunistas das. Hoje, marcas percebidas como autênticas são aquelas que demonstram compromisso contínuo com o tema, alinhando discurso e prática.
“Essas dinâmicas revelam oportunidades claras para empresas, governos e organizações. A primeira é a urgência de transformar diversidade em estratégia, indo além do discurso e incorporando inclusão como valor central — seja em políticas internas, seja na criação de produtos e serviços. A segunda é a necessidade de coerência e consistência: campanhas pontuais e narrativas superficiais perdem espaço diante de um público cada vez mais crítico e exigente. Por fim, surge a oportunidade de inovar a partir da interseccionalidade, reconhecendo que desigualdades se acumulam e que soluções eficazes precisam considerar múltiplas dimensões de exclusão ao mesmo tempo”, pontua o especialista.
O levantamento aponta que, para 49% da comunidade LGBTQIAPN+, as marcas presentes no Brasil reproduzem comportamentos preconceituosos. Nesse contexto, além de desempenharem um papel publicitário, o desenvolvimento de campanhas que representem de forma genuína essa parcela da população ganha um caráter de conscientização e inclusão social.
Quando adotadas de maneira responsável, campanhas inclusivas correspondem a uma demanda já existente, uma vez que o estudo aponta que, para 76% dos brasileiros entrevistados, a diversidade é um tema que deve fazer parte das empresas e marcas. Quanto ao retorno dessas iniciativas, 77% da comunidade LGBTQIAPN+ declaram que passam a considerar este posicionamento das marcas em suas decisões de compra. E vale destacar ainda, que 7 em cada 10 declaram passar a comprar ou consumir essas marcas com maior frequência.
“Organizações capazes de transformar inclusão em prática cotidiana não apenas fortalecerão sua reputação e relevância cultural, como também construirão relações mais sólidas e duradouras com consumidores, cidadãos e comunidades”, conclui Bulla.
Nenhum comentário:
Postar um comentário